domingo, 27 de abril de 2014

VERDADE FINAL

Estava conversando com um cliente e ele comentava que quanto mais eu o ensinava a dirigir o seu negócio mais dúvidas ele tinha a respeito de seu próprio negócio. Se eu não fosse um consultor, este tipo de observação me levaria a pensar que estava sendo incompetente no meu trabalho, mas como bom consultor tenho que achar respostas até mesmo para as minhas dúvidas.
                                  
Vamos refletir nesta observação do cliente. Começamos a relacionar as dúvidas, e chegamos à conclusão de que as dúvidas não eram as mesmas com o passar do tempo. Novas dúvidas surgiam ao passo que o cliente adquiria conhecimento de gestão e passava a observar situações que antes eram despercebidas por falta de conhecimento.

Apresentei isto ao cliente e ele concordou, mas continuou insatisfeito, pois esperava encontrar respostas definitivas para problemas pontuais. Assustava-se ao perceber que a sua lista de problemas aumentava a cada dia, e começava a indagar se não era melhor não ter obtido a capacidade de identificar problemas novos.

Ele dizia: “É melhor não ter conhecimento, pois quem não conhece não sofre, não é capaz de ver os problemas que o rodeiam, desta forma não se preocupa e vive feliz”.

Ele não vive feliz, vive enganado, e este engano mais cedo ou mais tarde vem à tona, e quando ele descobre já é tarde e sua vida já se foi.

Não podemos ter medo de adquirir mais conhecimento e descobrir a verdade, mesmo que esta verdade não resolva todos os problemas, ou que novos problemas surjam em detrimento do anterior.

Como dizia Goethe – “toda a solução de um problema envolve sempre um novo problema”. OU, como também disse o dinamarquês Höffding – “é um dos maiores títulos de nobreza do nosso pensamento o poder ver os seus próprios limites e neles escutar sempre a voz que o manda ir mais longe”.

Vorneis de Lucia
Presidente do Instituto Pro Humanitas


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