Estava conversando com um cliente e ele
comentava que quanto mais eu o ensinava a dirigir o seu negócio mais dúvidas
ele tinha a respeito de seu próprio negócio. Se eu não fosse um consultor, este
tipo de observação me levaria a pensar que estava sendo incompetente no meu
trabalho, mas como bom consultor tenho que achar respostas até mesmo para as
minhas dúvidas.
Vamos refletir nesta observação do
cliente. Começamos a relacionar as dúvidas, e chegamos à conclusão de que as
dúvidas não eram as mesmas com o passar do tempo. Novas dúvidas surgiam ao
passo que o cliente adquiria conhecimento de gestão e passava a observar
situações que antes eram despercebidas por falta de conhecimento.
Apresentei isto ao cliente e ele
concordou, mas continuou insatisfeito, pois esperava encontrar respostas
definitivas para problemas pontuais. Assustava-se ao perceber que a sua lista
de problemas aumentava a cada dia, e começava a indagar se não era melhor não
ter obtido a capacidade de identificar problemas novos.
Ele dizia: “É melhor não ter
conhecimento, pois quem não conhece não sofre, não é capaz de ver os problemas
que o rodeiam, desta forma não se preocupa e vive feliz”.
Ele não vive feliz, vive enganado, e
este engano mais cedo ou mais tarde vem à tona, e quando ele descobre já é
tarde e sua vida já se foi.
Não podemos ter medo de adquirir mais
conhecimento e descobrir a verdade, mesmo que esta verdade não resolva todos os
problemas, ou que novos problemas surjam em detrimento do anterior.
Como dizia Goethe – “toda a solução de
um problema envolve sempre um novo problema”. OU, como também disse o
dinamarquês Höffding – “é um dos maiores títulos de nobreza do nosso pensamento
o poder ver os seus próprios limites e neles escutar sempre a voz que o manda ir
mais longe”.
Vorneis de Lucia
Presidente do Instituto Pro Humanitas
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