segunda-feira, 28 de abril de 2014

ADMINISTRADOR DE CRISES

Existem empreendedores que fazem questão de administrar crises, e quando analisamos as causas descobrimos que a grande maioria delas são crises provocadas por estas mesmas pessoas.

Diante da crise se colocam como coitados e sofredores, mas quando alertadas com antecedência, fecham a cara, pois não aceitam conselhos ou observações. Neste momento o orgulho e o autoritarismo falam mais alto.

São pessoas que não percebem determinados sintomas. Quem visita muito um consultório médico é porque está doente, e quem se utiliza de um advogado como porta voz é porque está... com certeza com muitos problemas, principalmente quando é opcional.

Uma pessoa empreendedora, seja ela um comerciante, um industrial, um político, etc., tem que saber administrar antecipando-se aos problemas, como diz Stephen Covey - no Quadrante II.

Mas tem pessoas que gostam de crises e trabalham no Quadrante I, e basta alguém fazer uma observação e lá vem o coice, muito bem retratado em uma passagem do livro Sagarana de João Guimarães Rosa “... boi sanga sapiranga, se irrita com os grampos que lhe arpoam a barriga, e golpeia com a anca, aos recuões.”

O bom empreendedor sabe lidar com as pessoas e com as situações, não cria crises, ele as evita. Como diz Spinoza “Não rir, não chorar, nem condenar — mas compreender.” Só quem está disposto a compreender é que perceberá os sintomas, os sentidos e as intenções.

Vorneis de Lucia
Presidente do Instituto Pro Humanitas


AGRADAR A TODOS

Tenho observado algumas pessoas que ficam frustradas quando a sua idéia não é aceita por todas as pessoas que compõem uma mesa de reunião. Ficam irritadas, sentem-se ofendidas, e reagem como se as pessoas tivessem a obrigação de entender e aceitar o seu ponto de vista.

É interessante notar que a pessoa não se preocupa em estruturar, definir bem o objeto e apresentar argumentos de convencimento, ou seja, “não sabe vender o peixe”.

O principal erro está na forma de estruturar o que se vai falar, geralmente estas pessoas falam para elas mesmas, utilizam-se de argumentos de seu próprio interesse, aquilo que lhes agrada, e não se preocupam em utilizar argumentos que agradem à outra pessoa, aquele que se quer convencer.

Outro fator que geralmente não é levado em consideração é o fato de que não existe idéia que agrade a todas as pessoas. Estatisticamente já se sabe que quando uma idéia é apresentada, 60% dos ouvintes tendem a aceitar a idéia sem questionamento, 20% exigem mais argumentos para se posicionarem, ou seja, “ficam em cima do muro”, e os 20% restantes tendem a se oporem de forma mais radical à idéia apresentada.

Se fizéssemos uma análise matemática, ficaria muito simples resolver o problema. Basta eliminar os 20% que se opõem e teríamos 80% de possibilidade de adesão à idéia. O problema é que a oposição não se encontra na pessoa, mas na idéia. O mesmo indivíduo que se opõe a uma idéia, também pode apoiar uma outra idéia apresentada pela mesma pessoa.

O empreendedor tem que ter a habilidade de entender os interesses do seu público ouvinte. Procurar argumentos de convencimento para a parcela que se encontra indecisa e saber administrar sem gerar atrito com as pessoas que não aceitam aquela idéia naquele momento, mas que será sua aliada em uma outra idéia em um outro momento.

O bom empreendedor sabe dialogar e conviver na adversidade sem perder a empatia.

Vorneis de Lucia
Presidente do Instituto Pro Humanitas


ALEGRIA DO NATAL

Quantas dificuldades passamos ao longo do ano, e chegamos no seu término exaustos!

Momento de reflexão: Será que valeu a pena? O que fiz ao longo deste ano? Será que construí alguma coisa ou joguei fora mais um ano da minha vida? E à minha família, dei a atenção devida?

E neste momento bate uma tristeza, um vazio, e procuramos desviar a atenção, pois a reflexão nos assusta. Mas como recuperar a alegria para poder recomeçar? O empreendedor sabe – Hoje é Natal!

Vou dar um presente a vocês, um texto de Francisco Faus do livro “Natal: reunião dos sorrisos”:

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O Natal é o Sorriso de Deus dirigido aos homens, o Sorriso do imenso mistério de Amor e de Alegria, que os anjos anunciaram na noite do nascimento de Jesus: Anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo. Hoje, na cidade de Davi, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias, Senhor!

Todos os anos, à medida que o Natal se aproxima, esse Sorriso de Deus começa a insinuar-se no horizonte da nossa alma como um amanhecer que desponta. Dia a dia, a sua luz torna-se mais clara; e começamos a reconhecer que nos faz muita falta, que nos faz uma falta imensa.

Sim, o Natal está perto. O Sorriso de Deus já está à nossa porta e, mais uma vez, convida-nos, dizendo: - “Por que não aprendes a sorrir comigo? Ânimo! O Natal está chegando! É hora de pedires ao Deus-Menino um coração novo para que possas ter um sorriso novo!”
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Empreendedor saiba cultivar o diálogo com este Deus que está em seu coração, e esta alegria nunca te faltará, mesmo nas situações mais difíceis.

Vorneis de Lucia
Presidente do Instituto Pro Humanitas


AQUI É DIFERENTE

Certa vez dei consultoria a uma pequena empresa, onde o empreendedor começou a reunião dizendo: “Aqui é diferente!”.

Primeiro ele me olhava como uma pessoa que só tem teoria, e que na prática as coisas tinham que ser como eram. Não queria aceitar que a estrutura da empresa ou o seu comportamento deveria ser mudado.

Não resta dúvida que sabia que havia problemas, entretanto, os problemas poderiam estar em qualquer lugar, em qualquer pessoa, menos nele ou na estrutura que ele havia montado para a empresa. Afinal de contas tinha ganho muito dinheiro por muito tempo daquela forma e, se agora não estava bem, com certeza era alguma coisa externa à empresa que o afetava.

Geralmente, o empreendedor bem sucedido tem dificuldade para aceitar que o que era correto no passado, agora pode não estar mais correto, ou que não funcione mais.

A pessoa que não quer aceitar estas mudanças gostaria de encontrar um consultor que pudesse mudar o mercado para que ele voltasse a ganhar dinheiro da mesma forma como antes, ou alguém com alguma forma milagrosa, do tipo: “Como ganhar dinheiro no novo mercado sem precisar fazer força”; “Mil e uma maneiras de corrigir o mundo sem precisar se corrigir”.

O mercado muda, as exigências mudam, e temos que aprender a mudar para nos manter no mercado. O grande problema é que somos péssimos juizes de nós mesmos. Dificilmente conseguiremos sozinhos fazer uma autocrítica, de forma a encontrar nossos erros e erros estruturais da empresa.

Nas minhas aulas eu costumo lembrar a seguinte frase: “O melhor negócio do mundo é comprar a pessoa pelo que ela vale, e vendê-la pelo que ela pensa que vale”, com certeza teremos uma diferença muito grande.

Vorneis de Lucia
Presidente do Instituto Pro Humanitas


AUTORIDADE INFUNDADA

Encontro pessoas que abordam temas como: política, economia, filosofia, educação sexual, etc. Falam como se tivessem formação para abordar o tema com tanta autoridade. Falar bem não significa que se tenha conhecimento sobre o tema.

Um professor, por exemplo, que é respeitado pelos alunos no campo da matemática, que tem autoridade nesta área, não pode abusar da confiança que os alunos depositaram nele, falando como se tivesse autoridade em política ou economia. Se não estudou estas matérias, isto é abuso de autoridade.

Uma médica ginecologista, que tem autoridade sobre as doenças privativas das mulheres, não pode orientar as mães e as adolescentes no campo da ética e da moral sobre a educação sexual. Se não estudou estas matérias, não é de sua competência. Isto é abuso de autoridade.

Um cliente me mostrou um artigo de um físico de renome internacional que fazia um comentário sobre a economia mundial. No seu artigo tinha uma série de absurdos, que demonstrava uma falta de conhecimento muito grande sobre o tema. O meu cliente ficou impressionado: “Como uma pessoa tão importante pode cometer tantos erros nesta análise?”.

Este físico tem autoridade no campo da física, entretanto, cometeu o erro de tentar abordar um tema que não é do seu domínio. E o resultado é este: um desastre. O perigo está nas pessoas que se deixam influenciar pela assinatura. “Se foi escrito por um grande físico, logo, deve ser verdade”.

Empreendedor, tome cuidado quando for entrar em algum tema que não é do seu domínio, pois poderá cometer um abuso de autoridade.

Vorneis de Lucia
Presidente do Instituto Pro Humanitas


AUTOSSUFICIÊNCIA

É interessante o comportamento de alguns empreendedores diante dos desafios do cotidiano. Apresentam uma autossuficiência impressionante, trazem para si toda a responsabilidade para as soluções dos problemas.

Atrás desta frágil representação de força, existe na verdade um medo muito grande de não querer aceitar a sua fragilidade e desconhecimento. Quer demonstrar às outras pessoas que não precisa de ajuda, escondendo assim a sua insuficiência.

O autossuficiente acha que não deve pedir conselho ou ajuda a ninguém, que tem a obrigação de resolver tudo sozinho, afinal de contas é sua responsabilidade. O que ele não sabe é que ao apresentar o problema a alguém está refletindo durante esta exposição, pois é obrigado a estruturar o problema para poder falar e neste momento pode surgir a solução. Outro benefício está em aliviar a pressão psicológica quando dividimos o problema com alguém, e desta forma pensamos melhor. E um terceiro benefício é que a pessoa que está ouvindo o problema pode realmente apresentar uma solução, pois poderá ver por outro ângulo.

O empreendedor autossuficiente tem que entender que não existe um “eu” sem um “você”, as relações interpessoais não são um acidente da natureza, e sim uma necessidade do ser humano. O homem não existe pura e simplesmente, ele coexiste, existe com alguém, ou seja, o ser humano é um ser social por natureza.

Vamos encerrar com uma frase de Cowper: “O saber é orgulhoso de haver aprendido tanto. A sabedoria é humilde por não saber mais”.

Vorneis de Lucia
Presidente do Instituto Pro Humanitas


BRAVURA X AUDÁCIA

No mundo dos negócios existem “homens grandes” e “grandes homens”. Um empreendedor tem que procurar adquirir valores que o torne grande como pessoa.

Um empreendedor deve ter bravura ou audácia?

Um homem pode ser audacioso através de atos arrojados demonstrando um certo empreendedorismo, mas um homem bem formado que sabe cultivar a sinceridade e é incapaz de enganar, consolidando assim uma amizade duradoura; este sim demonstra através de seus atos arrojados uma verdadeira bravura, pois estas são as qualidades do homem justo.

A bravura existe naquele que é capaz de fazer a coisa certa, apesar das conseqüências. Poderíamos chamar também de “coragem moral”. Quem sabe cultivar a bravura é virtuoso e se diferencia das pessoas que apenas têm boas intenções.

Uma pessoa empreendedora que sabe viver a bravura, fazendo o que deve e o que é direito, demonstra sua integridade e o sentimento de dignidade através de seus atos e valores.

Se você é do tipo pusilânime, mude, procure criar o ensejo de aspirar a grandes coisas e ter largueza de vista. Assim você irá se entusiasmar e desenvolver o espírito de bravura, tão importante para se tornar uma pessoa empreendedora.

Como disse Cervantes em Dom Quixote: “... que se tu tiveres medo procedes como quem és, e se eu o não tenho procedo como quem sou.”

Vorneis de Lucia
Presidente do Instituto Pro Humanitas